sexta-feira, 23 de outubro de 2009

..... A propósito de Partos e Nascimentos ....

.... ou melhor: quando se aborda o assunto do nascimento de um bebé....


.... perdoem-me o desabafo....


Há já algum tempo que me "perturba" a constatação de que reiteradamente as mulheres temem protagonizar escolhas, sob pena de se sentirem hostilizadas, questionadas, ...

E, as poucas que o fazem (porque efectivamente estão informadas e, talvez por isso mesmo, não prescindem do seu exercício de cidadania responsável e consciente....)
tornam-se "reféns" e "clandestinas", ou então são conotadas como "fundamentalistas"e "protagonistas de posições extremadas" ....



Será que desenvolvi alguma hipersensibilidade ?



Por isso mesmo, e a propósito de partos e nascimentos,

fui navegando na net e encontrei algumas

respostas bastante "bem estruturadas", elucidativas e corajosas






vidas saudáveis durante a gravidez?
vidas saudáveis durante o parto?

como se informa?
como se educa?
como se aprende?
como se é ensinado?
Segundo Germano Couto(1),

A aprendizagem sobre a gravidez e o parto é realizada
muitas vezes de forma incorrecta e empírica, interiorizada
por histórias relatadas de gravidezes e partos complicados,
através, sobretudo, da tradição oral.






Se esta aprendizagem não for realizada de forma progressiva e coerente,
de acordo com o nível de compreensão da adolescente e da mulher,
em locais apropriados, como na escola por exemplo,
acontece que “muitas mulheres chegam à gravidez sem
conhecerem o seu corpo, desconhecendo o que se passa
com elas, o que pode ser gerador de insegurança e
ansiedade” .


A prevenção do clima de ansiedade e medo
relacionado com a sexualidade e reprodução deve efectuar-se
desde a infância, na escola, através de correcta
informação sexual;
“por outro lado a preparação física e psíquica da mulher grávida contribui decisivamente para eliminar, ou pelos menos, diminuir a expectativa de
ansiedade que povoa toda a mulher grávida.
Se for dada à futura mãe a possibilidade de conhecer o funcionamento
do seu corpo, ela encontrar-se-á em situação de colaborar
com a equipe de saúde [...] reduzindo assim grande parte
da tensão corporal e psicológica, do que resulta um parto
mais fácil e menos doloroso”
A Preparação para o Parto, enquanto momento de
educação, tem diversas visualizações e compreensões da
sua conceptualização científica.

Todavia, existem definições concretas e aceites pelo mundo científico,
que nos apresentam
a Preparação para o Parto como um
“programa de sessões educacionais para mulheres grávidas
e seus companheiros que encoraja a participação activa no
processo de parto.
O parto natural, também conhecido por
parto sem dor ou psicoprofiláctico, implica a aprendizagem
de técnicas de descontracção psicofisiológica no tratamento
das dores do trabalho de parto de forma a poder minimizarse
o uso da anestesia ou da analgesia”
À noção de Preparação para o Parto pode-se também acrescentar que
“muitas mulheres, especialmente nulíparas, preparam-se
activamente para o parto. Lêem livros, vêem filmes, vão a
aulas de Preparação e falam com outras mulheres (mães,
irmãs, amigas, outras). Procuram o melhor profissional para
aconselhamento, vigilância, e cuidados”
Esta forma de educação para a saúde baseia-se numa
intervenção profissional em que o enfermeiro “estabelece
um processo pedagógico que fornece à pessoa cuidada, à
família ou a um grupo, informação sobre a doença, a sua
prevenção e o seu tratamento, com vista a levar a pessoa a
tomar consciência das suas capacidades de autonomia e a
responsabilizar-se pela sua evolução para atingir um melhor
estado de saúde”.
Assim, e incluído no princípio anterior, a grávida,
pessoa objecto de intervenção pedagógica, deve ser
estimulada a conhecer o mundo que a rodeia. Tudo é
novidade, nomeadamente, quando se trata de uma primeira
gravidez.
Este conhecimento e todo o processo de
aprendizagem podem ser feito de duas formas:
informal e formal.
O processo de aprendizagem informal é, talvez o mais
utilizado pela mulher ao longo do seu crescimento e pela
grávida durante toda a gestação
, tal como já foi referido.
Tal processo empírico recorre, basicamente, ao senso comum
ou seja, através de canais científicos e não
científicos e de expansão generalizada.

São exemplo disso,
as leituras de livros e revistas, as conversas com outras
mulheres e grávidas, a visualização de documentários e
debates, as tradições oral e escrita. É a chamada educação
de “nível macro” .
De maneira alguma esta forma de
transmissão de conhecimento deve ser excluída, banalizada
ou refutada, desde que correctamente transmitida.
O processo formal, ou seja, aquele que recorre a
profissionais confiáveis, quer do ponto de vista científico
quer relacional, é chamado de “nível micro”, ou seja,
“acontece na comunidade de diversas formas, através de
líderes da comunidade, profissionais de saúde”
.
Este é talvez o menos utilizado, por diversas razões.
Primeiro porque a mulher apenas a ele recorre quando a situação a
impele, neste caso, a gravidez.
Por outro lado, porque os próprios profissionais de saúde esquecem-se das
necessidades efectivas de aprendizagem da mulher e da
grávida sobre educação para a saúde. Esta perspectiva está
bem patente no estudo de Couto, em que o autor conclui
que as grávidas estudadas, referiram que “a informação
que lhes é dada é quase nada, quer durante o atendimento
de enfermagem quer durante a consulta médica” .


Em países tão distintos culturalmente como o são o
Zimbabwe e a Suécia, a necessidade de educação para a
saúde durante a gravidez é um dos maiores objectivos dos
bons cuidados de assistência pré-natal. “Na maioria dos
países a educação para a saúde sobre gravidez é
providenciada formalmente pelos profissionais de saúde,
material educacional e pela comunicação social. Mais,
muitas mulheres obtêm informação informal sobre gravidez
através de contactos com outras mulheres e familiares” .
O grau de educação académica restringe o uso adequado
das fontes formais de educação para a saúde tornando-as
inadequadas e completamente inaplicáveis ao seu contexto
de vida. Além deste factor de restrição educacional derivada
pela baixa instrução, existem outros factores estudados que
se acoplam e tornam o trabalho de parto mais complicado.


fonte: (1) Revista de Ciências da Saúde de Macau December 2006, Vol 6, No.4

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