domingo, 15 de junho de 2008

As Ansiedades e os Medos



















Muito provavelmente, o bebé vai nascer no hospital, num local que se chama

... " Bloco de Partos".... ou "Bloco Operatório de Obstetrìcia"...

Nesta área "intervimos" no sentido de promover a relação com o feto durante o
trabalho de parto,
e depois nas primeiras 2 horas de vida do recém-nascido.

Sou Enfermeira Espacialista em Enfermagem de Saúde Materna e Obstetrícia
( e
enquanto elemento duma equipa prestadora de cuidados
especializados em meio hospitalar),
confrontamo-nos com os
sentimentos e expectativas do casal em trabalho de parto:

1. Medo da dor

2. Medo da solidão

3. Medo de que o parto corra mal

4. Medo do bebé vir com imperfeições não identificadas durante a gravidez

ou resultantes dum parto traumático.




Sabemos que
em maior ou menor grau,
toda esta “combustão” de medos,
sensações
de dor e sentimentos num parto,
pode ser vivida como
uma experiência extremamente

desagradável.


Sabemos ainda que em maior ou menor grau,
toda esta “combustão” de medos imprime
importantes repercussões emocionais

sobre a mulher,
e podem vir a afectar a relação com o recém-nascido.
Consequentemente, podem induzir a um comportamento materno "menos adequado".

MACFARLANE e KITZINGUER (1995, 136) referem que

“a forma como o parto é conduzido e as pessoas presentes, têm uma
grande influênciana maneira como a mãe recebe o recém-nascido”,
já que
“ o parto não pode ser simplesmente uma questão de técnicas
para tirar
um bebé do corpo de alguém.

Implica a nossa relação com a vida no seu todo, o papel que desempenhamos
na ordem das coisas”
KITZINGUER 1995, 33


Partimos assim do princípio de que a mulher que tem um filho nas melhores condições
biológicas e emocionais, tem à partida asseguradas as melhores possibilidades para que
o contacto com o seu filho no pós-parto imediato decorra de um modo
tão tranquilo como perfeito,
sendo uma das garantias da génese da vinculação.

Quando cuidamos da mãe em Trabalho de Parto, temos como objectivo

AJUDÁ-LA A AJUDAR-SE A SI PRÓPRIA”.

Muito sumariamente, utilizamos

1. A visualização

2. Técnicas de relaxamento

(que tendo sido exercitadas previamente
em cursos de preparação

para o parto, a sua utilização será mais facilitada)

3. Posicionamentos facilitadores

4. Formas de toque terapêutico

Acreditamos que quando apoiamos física e emocionalmente a mãe, o nível de
catecolaminas reduz-se bastante, bem como a adrenalina e a noradrenalina,
o que ajuda o parto a progredir normalmente,
tornando-o menos cansativo e menos demorado.

Sendo mais curto, há menos intervenções, menos occitocina,
e também menos necessidade
de utilizar fórceps ou epidural, porque um parto nestas condições
decorre de uma forma muito mais ritmada.

Esta apoio e confiança fazem a mãe sentir que tudo está a correr normalmente.

Mas o nosso trabalho é também pedagógico:


AJUDAMOS O PAI A AJUDAR A MÃE,
o que quer dizer que o pai não é de forma alguma excluído
deste quadro.

Apesar de nos confrontarmos com algumas
dificuldades arquitetónicas ... ,
na nossa maternidade
(o Bloco de Partos do Hospital de Santarém),
temos trabalhado no sentido de:


1- OPTIMIZAR O AMBIENTE FÍSICO de forma a torná-lo mais acolhedor.


· O uso de música ambiente que propicie uma maior intimidade

durante o periodo da dilatação

· O incentivo dado à mãe para que “fale com a barriga” durante esta fase,

tratando o seu bébé pelo nome

· A linguagem utilizada também está tendencialmente a mudar.

Expressões como

vamos convidar este bébé a nascer...” ou

“....vem bébé, que a mãe está cheia de saudades tuas...”

são cada vez mais utilizadas pelas enfermeiras

(e cada vez mais se ouvem nos restantes elementos da equipa).

2- OBSERVAR O ESTADO EMOCIONAL DA MULHER, reforçando
positivamente o seu desempenho.

Temos a preocupação de interpretar as crenças culturais, porque consideramos

que, pelo facto de estarmos atentos às diferenças culturais, todas as medidas

de orientação, ajuda e conforto,

assim como toda a informação dada e assistência oferecida, irá ao encontro das

reais necessidades da parturiente naquele momento.


Ou seja: fortalecemos os alicerces para a

participação activa e consciente da

mulher e para um parto nas melhores condições psicológicas.


Logo após o nascimento,

surge o que alguns autores referem como “ o elo do silêncio”.


Este ser – o bébé – pequeno, vulnerável, sem fala,

tem uma capacidade deslumbrante

de potencial: ainda que de aparência frágil, na realidade sobreviveu

a uma grande provação!

Concluiu uma viagem que causou a compressão do seu crâneo,

cortou-lhe a sua fonte

de vida

e separou-o da única fonte de sobrevivência conhecida:

a sua mãe.


Sobreviveu ao seu próprio nascimento e

é destinado a ser um membro adulto

da espécie viva mais inteligente à face da Terra.

Agora, como durante o 1º ano de vida da sua existência,

esta criança estaráocupada a

tratar dos alicerces para a vida,

na companhia dos que o cuidam.


Esta é a sobrevivência da nossa espécie, o nosso futuro,

a nossa imortalidade

através da continuidade dos nossos genes.


Este “ elo de silêncio”,

vem frequentemente precedido por parte da mãe,
duma explosão de alegria e choro simultâneos,

ao qual se junta o 1º choro do bébé acabado de nascer.


O posicionar o RN sobre o abdómen materno, tem

como fundamento o facto

de “ o tacto ser a 1ª e mais importante
zona de comunicação entre a mãe e o próprio filho

...funciona simultaneamente para acalmar, alertar e despertar”

BRAZELTON, 2001, 79


Motivamos a mãe para o contacto visual,

a estimulação táctil e auditiva

com o RN, pois os “RN movem-se ao ritmo da fala das suas mães”

BURROUGHS, 1995, 250




Até lá,
pensem no seguinte:




  • como imagino o nascimento do meu bebé?

  • o que gostaria que acontecesse?
  • como o posso convidar a vir para o meu colo?
  • como me posso preparar?








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